Do livro ao filme
Como disse Caetano Veloso, “Budapeste é talvez o mais belo dos três livros da maturidade de Chico”, ao que José Saramago completa: “Chico ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou do outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com maestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro”.
Os direitos de filmagem de Budapeste foram negociados pela Nexus Cinema. E a também produtora, Rita Buzzar, começou a adaptá-lo para o cinema, assim como fez com Olga.
“Li o livro, pela primeira vez, numa madrugada. Comecei a ler às 11 horas da noite e terminei às 4 horas da manhã. Depois li várias vezes, tentando já montar uma primeira estrutura. Só então tomei coragem de fazer uma proposta.” Relata a produtora e também roteirista.
“Conheci pessoalmente o Chico no dia da assinatura do contrato de cessão de direitos do livro, e começamos a conversar. Queria muito que ele desse sugestões sobre a adaptação. Num terceiro encontro, ficamos por cinco horas conversando sobre as dúvidas que eu tinha sobre o livro. Sobre a interpretação e impressão que tive dele. Lembro que a sala foi invadida por aleluias, aqueles insetos de verão, e acabamos não ligando as lâmpadas. A sala foi sendo devorada pela escuridão, mas mesmo assim continuávamos a falar sobre o livro”.
Foi depois que escreveu três tratamentos do roteiro, que Rita ofereceu o texto, pela primeira vez, para Chico ler: “Ao todo, foram sete versões. Fui, aos poucos, tomando a liberdade de inventar outras situações, que não existem no livro, e são específicas no roteiro. Mas sempre com o conhecimento de Chico.”
Foi apenas depois de um ano, que Walter Carvalho foi escolhido para dirigir o filme.